É impossível contar a minha história com a Psicologia sem, antes, destacar que é por meio dela que realizo o meu propósito: ajudar pessoas a aprenderem a se relacionar de forma mais saudável, habilidosa e amorosa consigo mesmas e com os outros.
Meu exercício profissional como psicóloga clínica reflete esse compromisso pessoal com cada paciente — algo que se revela na aliança terapêutica que busco estabelecer desde o início do processo. A confiança entre psicoterapeuta e paciente é essencial para que o processo seja bem-sucedido. Essa é uma afirmação respaldada por inúmeras pesquisas na área, mas que só se concretiza quando o paciente se sente genuinamente acolhido, compreendido e orientado.
“Minha vocação em compreender e apoiar empaticamente as pessoas está presente desde a infância.”
A necessidade de fazer isso com responsabilidade e estratégias fundamentadas, no entanto, foi o que me levou à graduação em Psicologia como bolsista integral. Sempre tive prazer em aprender — por isso, os estudos acompanham meus interesses pessoais e profissionais há muito tempo.
Atuo na clínica desde 2012. Considero um valor pessoal manter uma prática baseada em evidências — o que exige investimento contínuo em estudos, eventos, artigos científicos, formação e supervisão, além dos cuidados éticos que sustentam a definição de objetivos terapêuticos apropriados para cada paciente. Eu gosto do que faço, mas gosto ainda mais de fazer isso de um jeito que una humanidade e ciência.
Por essa busca constante por aprofundamento teórico, atuo com manejo diferenciado em temas que são parte significativa das demandas que atendo. Em 2020, participei do curso Como manejar relacionamentos abusivos na clínica psicoterapêutica, da equipe Não era amor, especializada no atendimento a vítimas de violência com abordagem analítico-comportamental. Refiz o curso em 2021, em versão estendida. Ajudar pessoas a identificarem sinais de abuso e ampliarem seus fatores de proteção — por meio de autoconhecimento, empoderamento e ressignificação de suas histórias — é algo que levo a sério.
Da mesma forma, com estudos, cursos e supervisões contínuos, tenho aprofundado minha atuação no tratamento de sintomas decorrentes de experiências difíceis — especialmente aquelas cronificadas e de efeitos prolongados. Não é possível evitar todas as adversidades que podem resultar em trauma psicológico ou em aprendizagens disfuncionais, mas é possível fortalecer repertórios de enfrentamento e regular o sistema nervoso com técnicas eficazes. Tenho me especializado em psicotraumatologia para melhor integrar, regular e curar os efeitos de longo prazo que esses eventos provocam.
Acredito em uma psicoterapia na qual o paciente se apropria da própria história e a acolhe — com todas as suas partes, inclusive as mais incômodas. Só assim pode experimentar a vida com mais inteireza, plenitude e capacidade de trilhar o caminho de volta a si mesmo sempre que se sentir perdido. Esse caminho é feito dos valores que escolheu como dignos, importantes — talvez sagrados —, e dos recursos emocionais que o sustentam mesmo em solo movediço.
Por isso, receber de alguém a permissão para auxiliá-lo a se conectar com seu próprio processo é, para mim, um privilégio.